Cem anos que eu dure vou sempre recordar...
Andava eu adormecida na minha vida morna que ia arrefecendo mais um pouco a cada dia que passava...
Andava eu adormecida na minha vida morna que ia arrefecendo mais um pouco a cada dia que passava...
Estávamos em Março de 1995 e ouvi dizer que íamos almoçar com uns amigos do meu pai ao restaurante Freitas ao pé da barragem Crestuma/Lever. Contrariando os planos que tinha para esse dia de domingo, lá esperei por esses ditos amigos que eu não conhecia de lado algum...
Até que chegaram os ilustres convidados. Eu estava ao cimo das escadas vestida e penteada como calhou pois estava mais contrariada que sei lá o quê. Não me esforcei minimamente. Queria ter conseguido ver-me livre de fazer sala mas como não consegui, mostrei o meu desagrado não me arranjando sequer.
Estava então eu no cimo das escadas quando ouvi barulho de carros a parar á porta e saem do carro um casal e dois filhos. Entram no portão e começam a subir as escadas em minha direcção. Recordo o filho mais velho a subir as escadas: nunca tinha visto nada igual. Devo ter ficado sem ouvir, respirar e sem batida no coração. Tudo parou á minha volta: apenas aquela miragem subia em câmara lenta em minha direcção. não o senti a aproximar-se e acordei já com ele a inclinar-se perante mim para me cumprimentar. Aí senti o perfume dele e o picar de uma barba fofa. Começava a vir a mim de novo.
Mostrou-se a casa e fomos então almoçar e ele ficou sentado ao pé de mim. Se a sua imagem me deslumbrou, a sua conversa e a sua postura me enfeitiçaram.
De tarde fui com os dois irmãos mostrar-lhes Gondomar ( Monte Crasto é o cartão de visita) e já começaram a surgir umas trocas de palavras meio inocentes meio não inocentes. Fomos tomar café no Que de Noite bar e fomos até casa dos meus pais. Emprestei uns livros ao mais novo sempre de olho no mais velho. Eu não queria que aquela tarde terminasse nunca mas as horas voaram tão rápido...
Trocámos números de telefone fixo e fui levar os dois irmãos á entrada da estrada da marginal para talvez nunca mais o voltar a ver.
Aí senti que o beijo de despedida foi mais encostado que o da hora de almoço e eu vim para casa completamente inebriada e a pensar no que me acabava de acontecer:
Tinha-me apaixonado á primeira vista. Nunca tinha sentido nada igual.
Ele era o tal: Tinha que ser.
Cem anos que eu dure, recordar-me-ei da visão de quando o vi pela primeira vez
Tinha-me apaixonado á primeira vista. Nunca tinha sentido nada igual.
Ele era o tal: Tinha que ser.
Cem anos que eu dure, recordar-me-ei da visão de quando o vi pela primeira vez
Cem anos que eu dure, sinto o roçar da barba e o beijo daquela despedida
Cem anos que eu dure, o amarei para sempre.