Do jantar em casa dos meus pais, pouco me lembro. Só sei que a comida tinha dificuldade em passar na garganta e que não queria olhar para o rosto dos meus pais nem para a minha cadelinha (de seu nome Boneca oferecida pelos meus pais quando eu tinha 15 anos). Para "salvar" as emoções, toca o telefone e era a Dª Cândida, a florista, para ir lá buscar as flores para o dia seguinte. Lá fui e o Ricardo veio ter comigo. Dei-lhe a tulipa branca que ele iria colocar na lapela do casaco. Fomos ainda ultimar uns assuntos com o coro da capela de Aguiar que nos iria acompanhar com cânticos já previamente definidos. Quando cheguei a casa, só quiz dormir o que aconteceu rápido.
Chega o dia D...
O dia do culminar de todos os sentimentos...
O dia amanheceu muito chuvoso. Levantei.me cedo para ir ao cabeleireiro. Cheguei a casa e num ápice vesti-me com a ajuda da minha mãe. Chega o fotógrafo com o padrinho, o grande amigo Carlos e depois de umas fotos e filmagem, lá saí de casa de braço dado com os meus pais ...
para não voltar a viver naquela casa...
Nem olhei para o lado... nem para trás...
Ás 11 horas cheguei ao Mosteiro de Leça do Balio e ainda vi o Ricardo a descer os degraus, a entrar de braço dado com a mãe. Eu entrei pelo braço do meu pai. Parei quando vi o meu sogro e dei-lhe um beijo e fiz o mesmo com a minha sogra. Ao som da marcha nupcial, cheguei ao seu lado esquerdo. A cerimónia decorreu na presença de familiares e amigos de ambas as partes.
O copo de água foi no Celeiro dos Cónegos onde fomos recebidos e servidos pelo chefe Paiva. Correu tudo bem, como planeado.Á noite fomos para nossa casa no carro dos padrinhos.
Foi tudo muito especial, mágico, intenso. O sentimento era de plenitude, paz, felicidade por tudo ter corrido como queríamos.
Ainda hoje recordo a frescura da manhã seguinte. Essa frescura especial, sinto-a todos os anos mal começa Setembro.
E foi assim o dia que começámos a nossa vida em comum.
Á data que escrevo já deu dois frutos maravilhosos: A Ana de 3 anos e 8 meses e o Pedro de 9 meses.
Oito anos depois digo que voltaria a repetir tudo sem alterar absolutamente nada...
Oito anos depois, amo muito o meu marido e renovo os votos: " na alegria e na tristeza; na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida..."

