sábado, 7 de agosto de 2010

Um bocadinho de mim...

Estávamos em 1975 e os meus pais emigrados em França daí que eu nasci lá a 13 de Dezembro. Era sábado. Estava a minha mãe a lavar os cortinados na banheira quando eu resolvi "bater á porta". O meu pai estava a trabalhar num restauro de um barco. Estava previsto nascer a 17 de Dezembro de cesariana mas achei que 13 era o dia ideal. A minha mãe foi chamar um vizinho também português que vivia no 3º andar do prédio. Ele levou-a á Clínica do parque dos Príncipes e foi avisar e buscar o meu pai. Ás 13h30 abro pela primeira vez os olhos.
 Estive em França até Julho de 1983. Tive todas as doenças e mais algumas que seriam desejáveis para uma criança, preguei os sustos que todas as crianças e os meus pais aguentaram tudo sozinhos, sem ajudas, sem reclamar, com uma dedicação e um espírito de sacrifício que hoje em dia já não se encontra facilmente.
Ingresso os meus estudos na 2ª classe e continuo por aí fora até me formar em Química na Faculdade de Ciências do Porto. Os meus pais abrem uma loja de venda de discos - Discoteca Nathalie - nome sugerido pelo meu Avô Moreira e cresço sempre com a musica por perto.
Olho para trás e é isto que fica: onde nasci e a vida que naquela altura os meus pais tiveram sem telefone, telemóvel e Internet. E eram felizes, unidos e ainda hoje há coisas que ainda doem quando se falam, nomeadamente na palavra SAUDADE. Os meus pais dizem que deram o verdadeiro valor ao significado da palavra saudade e o quanto é vulgarizado hoje em dia. E todas as comodidades que estão  ao nosso dispor, não simplificam:  complicam as relações entre as pessoas, não as aproxima. Pelo contrário: afastam, controlam, tiram liberdade...

1 comentário:

  1. Adorei a nostalgia que fizeste sobre o teu percurso biográfico!
    E acredita que o último paragráfo deste "bocadinho de mim" é também espelho daquilo que muitos pensam.

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