Era uma terça feira e o dia nasceu .O papá não se levantava para ir trabalhar... Virei-me para ele e perguntei: então não vais trabalhar? O meu tom mudou de pergunta a afirmação nesse instante quando sinto a bolsa das águas a rebentar. Senti um nervoso miudinho do tipo: chegou a hora!!!
Fui tomar banho, pequeno almoço porque pensei: primeiro filho isto pode durar horas! Vamos lá! Pegamos no saco e arrancámos em direcção ao Hospital Pedro Hispano onde já estava á minha espera a enfermeira Helena (uma grande amiga que me fez o curso de preparação para o parto).
Entre toques e retoques de uma médica não muito simpática e de uma equipa de parteiras espectaculares, epidural e afins começa a chegar o momento. Chega uma parteira ao pé de mim e diz-me: Vamos lá minha filha que antes do almoço a tua bebé já está cá fora! O Quê??? Hora de almoço??? Deve ser engano!!!Tão rápido???
E assim foi. O papá estava ao meu lado mas a Ana não estava em boa posição. Eu não estava concentrada a colaborar porque não tinha ficado bem estabelecido se o papá ia estar lá ou não. Vi que ele não saía dali e não me concentrava. As parteiras pediram-lhe que saísse. Não imagino sequer o que ele estaria a sentir naquele corredor... até que Uaaaaááááááááá´!!!!!!!!
Puseram-ma em cima de mim de o rabo virado para mim que me fez lembrar um coelhinho. A minha primeira atitude foi segurar uma mão da parteira Nazaré e dizer-lhe: obrigada pelo que fez por mim!
Depois olhei para o rosto dela: tão bonita, perfeitinha, a chorar. Não sabia mamar (não tinha reflexos de sucção). Passado umas horas fomos para um quarto só para nós com televisão e tudo.
A avó Nanda esteve lá desde de manhã; a avó Rosa chegou entretanto, o avô Manuel e a Rosa também lá foram; o tio Pedro também e o papá num entra e sai mas sempre do nosso lado. O avô Pinto é que ... enfim...
O papá comprou uma bonequinha que cada vez que olho para ela simboliza este dia tão mágico. Recebi um ramo de tulipas da avó Nanda e uma Orquídea do avô Manuel e a Ana um bouquet de rosinhas da avó Nanda.
Chegou as 20:00. O segurança cumpriu a sua função de retirar as visitas do quarto. Aí doeu... se o papá chegasse ao fundo do corredor e voltasse para trás via a mamã banhada em lágrimas, a soluçar sem explicação.
Chegou a noite. Fiquei eu e ela.
Tirei-lhe uma fotografia que guardo como uma relíquia que é. Ela serena a começar a vida dela cá fora; eu olhava para ela e sentia-me assustada e com medo de não saber cuidar dela. Vi um episódio da série "Donas de casa desesperadas" e exausta, adormeci. A noite correu bem apenas o meu telemóvel despertava de 3 em 3 horas para tentar alimentá-la .
No dia 9 de Janeiro 2007 ás 13:08 tornei-me mãe.
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